15/11/07

Desavenças 3

Brigar

O termo “brigar” (do gótico brĭkan, que significa “romper”, “quebrar”), actualmente mais frequente no Brasil do que em Portugal, pode referir-se a uma disputa verbal ou física, com ou sem consequências de maior. Vejam-se os exemplos:

“Os noivos brigaram e decidiram anular o casamento”
“O João e a Ana tiveram uma briga parva por causa de uma resposta ao Trivial e andaram amuados por uns tempos, mas depois passou-lhes”
“No sábado à noite, o Artur saiu com os antigos colegas da faculdade, embebedou-se e meteu-se numa briga”

Na primeira frase, a briga, no sentido de “discussão”, é séria, implicando uma quebra de relações – depreende-se que a discussão é verbal e/ou ideológica. Na segunda, a briga, que é comparada a um simples amuo, é superficial: foi ocasionada por um jogo de sociedade e teve curta duração (e, no entanto, “brigas parvas” como a do exemplo podem implicar também uma quebra de relações). Na terceira frase, o termo briga equivale ao termo “rixa”, isto é, disputa entre duas ou mais pessoas, geralmente acompanhada de violência física (o Artur terá chegado a casa com algumas nódoas negras).

Na última acepção do termo, brigar significa lutar e tem como sinónimo “bulhar”. As crianças, por exemplo, “andam à bulha”, isto é, tentam magoar-se fisicamente. À “bulha” (termo de origem castelhana que significa ruído) está associada uma certa confusão, imaginando-se uma luta ruidosa, cheia de gritos e ofensas, e capaz de levantar poeira (reveja-se a imagem de Calvin e Hobbes que inaugura esta série Desavenças). Uma outra expressão para andar à bulha é “chegar a vias de facto”.

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